Domingo, 27 de Maio de 2012

Arquitetura vernácula de Castelo Rodrigo


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Em Castelo Rodrigo, as casas confundem-se com a rocha que lhes serve de substrato.
Telhados de duas águas, casas apenas com rés-do-chão ou mais frequentemente de primeiro andar, pedra e muita pedra, com madeira à mistura…
Em Castelo Rodrigo é grande a unidade arquitetónica. Diria que as muralhas e as casas se fundem num único corpo. A argamassa em tons férreos com que as juntas da alvenaria são preenchidas, ajudam a preservar essa unidade/identidade.
Na outrora tumultuosa raia, as pacíficas pedras de Castelo Rodrigo mostram-nos o que Portugal tem de mais genuíno.
Rafael Carvalho / mai2012

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Castelo Rodrigo – Aldeia Histórica

 

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Um dos meus melhores amigos é de Castelo Rodrigo. Fui-me habituando às descrições calorosas que ele foi fazendo da sua terra. Quando finalmente lá estive este ano, o que fui vendo já não me era desconhecido.
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Trata-se de uma aldeia medieval, erguida no topo de um morro, com vista esplêndida sobre os campos em redor. A ocupação do território remonta porém ao Paleolítico. Esta aldeia foi restaurada no âmbito do Programa de Recuperação das Aldeias Históricas - um exemplo a seguir.
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A igreja matriz, a cisterna, o pelourinho e o relógio instalado sobre um antigo torreão são os principais motivos de interesse, a par das ruínas do antigo palácio de Cristóvão de Moura. A população enraivecida incendiou o dito palácio nos finais do reinado de Filipe II, por pertencer a um dos defensores da legitimidade espanhola sobre as terras lusas.
Rafael Carvalho / mai2012

Sábado, 19 de Maio de 2012

Lapa – Sernancelhe

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Visitei a Lapa e as aldeias anexas em finais do ano passado, território do amigo Nuno Correia.
Habituada às agruras do inverno, a terra é rude. As construções em granito acentuam a dureza do local. À região chamou Aquilino Ribeiro "Terras do Demo" - o nome diz tudo.
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Em torno do belo Santuário da Nossa Senhora da Lapa vi vida, peregrinos e comércio na rua.
Nas construções vernáculas vi beleza, texturas e mais texturas, com várias cores e materiais à mistura. Também vi abandono e isso entristeceu-me.
Rafael Carvalho / mai2012

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Velhos muros do Côa


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A caminho de Castelo Rodrigo, passei em Vila Nova de Foz Côa.
Os velhos muros do Côa encantam-me. São construídos com esteios de pedra assentes perpendicularmente ao pano do muro – coisa a que não estou habituado. Algumas pedras são dispostas longitudinalmente, o que assegura a estabilidade do conjunto. Os muros são rematados superiormente com lajes dispostas segundo planos oblíquos aos anteriores, como é visível no capeamento da imagem.
A construção dos muros do Côa, com assentamento segundo três planos distintos, dá-lhes um aspeto peculiar!...
Rafael Carvalho / mai2012

Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

IDArq Factor - Arquitectura, património e identidade

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" IDArq Factor constitui um grupo de investigação integrado na unidade de I&D da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias designado por LABART.
A designação IDArq Factor surge do seu enquadramento com a problemática da Identidade Arquitectónica e dos diversos e diferentes factores que para ela contribuem. O grupo concentra e dirige variados projectos de investigação, centrados na temática da identidade e do património arquitectónico, tendo também como particular preocupação a reflexão sobre o fenómeno da globalização e os consequentes efeitos na arquitectura e urbanismo."
...da apresentação
Aceda ao website clicando aqui.

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

Portugal - Luz e Sombra / O País depois de Orlando Ribeiro

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"Orlando Ribeiro fotografou exaustivamente o território português a partir de 1937. Durante quase cinco décadas fixou, pela imagem, o solo e as construções que nos rodeiam. Em 1985, quando arruma a sua câmara fotográfica, Portugal já entrara num processo de mudança que se tornava cada vez mais célere. Em 2011 voltámos a uma grande viagem que fora iniciada em Portugal – O Sabor da Terra e continuada em Portugal Património. Selecionámos um conjunto de fotografias do grande mestre da Geografia e regressámos aos mesmos exatos locais das suas tomadas de vista.
O que encontrámos não foram apenas alterações, mais ou menos significativas, de aspetos das paisagens e das arquiteturas, mas um tempo civilizacional diferente. Estas fotografias dão-nos conta, com fascínio e inquietação, do poder avassalador do tempo e das imparáveis construções humanas, na modelação da identidade de um povo."
Duarte Belo
Aceda a mais clicando aqui

Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

Técnicas de Construção em pedra de xisto e reboco com Cal

Data: 19 e 20 de maio de 2012
Local: Atenor - Miranda do Douro
Programa e mais informações em http://www.palombar.pt/

Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

Porta Carral em Picote


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Encantou-me a visita que no verão passado fiz a Picote. Quando por lá andei, deliciei-me com a porta carral da imagem.
Já tinha visto referências a este tipo de portas da região mirandesa, uma das quais no livro “Arquitectura Popular em Portugal”, fruto do inquérito à arquitectura regional portuguesa elaborado em meados do século passado. É deste livro o excerto que ora apresento.
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«Nada melhor para ilustrar tudo quanto se disse destas casas do que uma olhadela para as suas fachadas (…). Nada de um desabrochar para o exterior. As poucas aberturas incrustam-se nas sóbrias paredes, que se apresentam como caras fechadas aos sorrisos. Forçando ainda mais o ar de severidade, a porta carral que ultrapassa em escala qualquer elemento da composição, é mais um símbolo de um vão que se fecha, do que uma abertura para maior contacto com o exterior. Isso talvez provenha do facto de as suas duas folhas avultarem como empanadas de grossos tabuões, pregueados de grandes cravos de ferro e a que não falta mesmo a porta estreita e baixa que, inserida na folha mais larga, introduz uma referência directa ao verdadeiro tamanho das pessoas.
Vem a propósito encarar um outro aspecto da questão: o enquadramento dessas portas. Como elementos dominantes das fachadas, é evidente que para elas convergem as atenções do construtor, quando este envereda pelo caminho do apuramento formal. Que elas sejam fortemente acusadas por uma envolvente de pedras, que sobressaem do vulgar aparelho destas alvenarias, isso resultaria de uma simples necessidade de estruturar convenientemente semelhantes aberturas; no entanto, não podem passar despercebidos, ou um melhor acabamento das superfícies das pedras que as defendem, ou até a utilização de elementos de carácter muito especial, cujo rigor na utilização poderia levantar certas dúvidas. Contudo, não negando uma tendência que é perfeitamente lógica, é-se forçado a considerar, como aspectos dominantes destas portas carrais da região mirandesa, tão somente aqueles que promanam directamente das suas dimensões e da nobreza da textura dos materiais que as compõem.»
Rafael Carvalho / abr2012

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Casa em Picote


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Como já referido no post anterior, Picote tem muitas das suas casas recuperadas – eis mais um bom exemplo.
Tenho pena que a qualidade da fotografia, tirada numa altura em que o sol não estava de feição, não faça jus à qualidade do exemplar arquitetónico.
Particularmente interessante é a varanda que quebra de forma harmoniosa a geometria ortogonal da casa.
A varanda, elemento marcante na arquitetura vernácula transmontana, constitui uma extensão da casa onde interior e exterior se fundem.
Omnipresente no planalto mirandês, por debaixo da varanda o banco de pedra, sofá ao ar livre em espaço semipúblico (ou será semiprivado?).
Rafael Carvalho / abr2012

Sábado, 21 de Abril de 2012

Por Terras de Miranda - Picote



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Sobranceira ao rio Douro, Picote (Picuote em mirandês), é uma freguesia do concelho de Miranda do Douro. Estive lá no verão passado. Achei na altura curiosas as suas placas toponímicas bilingues – português/mirandês, sendo que o mirandês é a nossa segunda língua oficial.
Com muitas das suas casas tradicionais recuperadas, gostei do que vi. Lembrei-me na altura de um vídeo a que em tempos aqui aludi /
“Casas adormecidas – um passado com futuro”.
Em Picote, da Fraga do Puio avistam-se as arribas do Douro – que arrebatadora visão!
Propriedade da
Frauga - Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote, a casa das imagens constitui o Centro Interpretativo do Ecomuseu local, mais um bom exemplo do reaproveitamento com fins culturais das nossas construções vernaculares (reveja outros bons exemplos clicando aqui, aqui e aqui).
Rafael Carvalho / Abr2012